18 de novembro de 2011

Reflexão




O mar



Estava pensando no mar... em quanta inspiração ele nos traz.

Recordei as cores: os verdes, os azuis,os brancos das espumas.

Imaginei a vegetação, o céu limpo, o desenho das rendas das

espumas.

Espumas... e nesse desenho abstrato que elas formam, meu

pensamento continua a vagar.

Como vagam as ondas, vagam os meus pensamentos...

O mar... com seus dourados leves ao amanhecer e alaranjados

ao entardecer.

Pode haver coisa mais importante que observar essa beleza?

Sim, mas, nada se compara ao prazer que esse olhar

detalhado nos causa, tornando-nos mais sensíveis, mais

humanos e mais abertos para apreciar belezas contidas em

pequenos instantes. Como esse, em que a água é tingida por

diversas cores, conforme o momento, o tempo ensolarado ou

nublado. Mas está tudo lá... muda a forma de perceber,

conforme o que se apresenta no momento.

O mar... e essas águas que vêm e vão, que bailam, que mudam

constantemente.

Como é rico observar o mar e aprender com esse olhar.


 
(Leila Rodrigues)

Pensamento



Saudade

Parece sentimento velho, triste, que exala cheiro de mofo...
Porém, a saudade que sinto não é assim.
É apenas um sentimento que deseja o retorno de momentos bons.
Coisas marcantes ou insignificantes que se tornaram importantes com o passar do tempo.
Não é sentimento ruim de perda, mas, sentimento que quer rever esses momentos, para com outros olhos, outro coração, vivenciá-los intensamente.
Saudade... são tantas coisas, pessoas, instantes, vida percorrida em alegria ou tristeza.
Saudade... saudade... saudade...
Estarei envelhecendo?
Pois que seja... tenho saudade de bons momentos que trago guardados não só na mente, mas também no coração.
Esses momentos ficaram incrustados como pedras preciosas em jóias.
Eu amo jóias e amo observar cada detalhe da beleza das jóias.
Saudade é como jóia e os momentos preciosos estão lá, guardados no coração e na memória.
Voltarei sempre para revê-los e apreciar sua beleza.

Leila Rodrigues

2 de agosto de 2010

Soneto de Vicente de Carvalho

Velho Tema


Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida,
Que é uma grande esperança malograda.


O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada,
E que não chega nunca em toda a vida.


Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,


Existe, sim; mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos,
E nunca a pomos onde nós estamos.

 
(Vicente de Carvalho)
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23 de março de 2010

Dividindo a Paz



Trago nos olhos a paz, porque ela instalou-se em mim, desde quando eu era uma criança. Brotou feito uma planta...
Trago o peito sereno, repleto de boas intenções. São elas que fazem germinar uma boa relação.
Trago a cabeça despreocupada, confiante e segura. Sei que para existir paz no mundo, essa paz deve emanar de cada um.
Se, quero um mundo de paz, começo a lutar por minha paz interior e a vou estendendo a quem estiver próximo. Essa corrente toma forma e ganha espaço.
Por isso, trago a paz em meu olhar, desarmo minhas palavras, visto meu coração de compreensão e passo a aceitar as diferenças.
Ninguém é melhor ou pior. Temos costumes, cores ou pensamentos diferentes, mas somos iguais como seres humanos e caminhamos para o mesmo fim.
Porque, então, não caminhamos em paz?
(Leila Rodrigues)


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24 de janeiro de 2010

A Reunião (série) - pintura

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Série "A reunião" - Leila Rodrigues







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Essa série foi concebida no último ano da Faculdade de Educação Artística, 7º semestre de Artes Plásticas, sob a orientação de meu estimado Mestre, o artista Antonio Valentim Lino. Ele posou ao lado da modelo que nos serviu de inspiração. A reunião das imagens, em um estudo de composição, registra a presença de Lino nas duas primeiras pinturas aqui mostradas.

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17 de janeiro de 2010

Flor no Hexágono - pintura

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Descobri uma certa leveza ao desenhar formas geométricas. Aqui, um dos vários estudos que fiz utilizando o Transferidor. Fiquei encantada com as possibilidades de composição que esse instrumento oferece e quase que freneticamente, iniciei meus estudos. Tornou-se uma paixão.

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Solidão - pintura

Solidão - Leila Rodrigues
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Representação, em lápis de cor, da pintura original feita com pastel seco, em 1990. Uma de minhas preferidas, devido à simplicidade e grande eloquência dos símbolos aqui utilizados.

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Sereia - pintura


Sereia - Leila Rodrigues


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Peixe ou Sereia? Devo confessar que a princípio pensei em fazer um peixe e este acabou transformando-se em sereia. Um exercício de composição com pontos, linhas e formas deu origem a essa pintura.
O desenvolvimento, o processo de criação é repleto de mudanças. São dúvidas que surgem, questionamentos sobre cores, desistência da idéia inicial e... nesse processo vivo de inconstância e incerteza é que reside a verdadeira alma da Arte.
Minha primeira intenção era de denúncia, um peixe sucumbindo e algas vermelhas, como sangue, dançando com a corrente marítima. Então alguém muito especial me perguntou... mas peixe solta bolhas? Oh... boa pergunta! Toda uma ideologia foi por água abaixo e... sem saber ao certo se existe peixe que solta bolhas e sem disponibilidade para pesquisas, pois na época não existia o Google, deixei meu peixe de lado e investi na sereia. Dei-lhe o nome de Sereia, mas, a pintura possui em sua alma, características de peixe e... pensando bem... sereia também não é peixe? Metade mulher, metade peixe... uma dualidade, uma indecisão?
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O Portal - pintura


O portal - Leila Rodrigues


Essa pintura, sem dúvida, é a minha preferida, de todas que produzi até hoje. Ela carrega a simbologia da luta entre matéria e espírito. Quando surgiu como idéia, não poderia ser explicada por palavras, era muito intensa... precisava ser representada através da pintura. Gosto de ouvir as possíveis interpretações a respeito dela: são muito ricas. Todos os elementos nessa composição tem seu significado, nada é meramente estético. Colunas, ruínas, posicionamento das silhuetas, progressão das cores, contraste, textura, tudo forma um contexto a ser explorado pelo expectador. Fique à vontade para comentar sua interpretação, sem receio de erro ou acerto.
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O Beijo - pintura

O beijo -  Leila Rodrigues


Muitos artistas fizeram uma representação de um casal se beijando e chamaram-lhe "O beijo". Os mais conhecidos, sem dúvida alguma, são Rodin e Gustav Klimt. Alguém menos conhecida se aventurou a essa representação também: eu. Provavelmente influenciada por tantos beijos representados na História da Arte, o meu veio carregado de simbologia. Essa pintura é para ser decifrada não apenas pelos olhos e mente, mas principalmente pelo coração. Boa leitura!
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Intensa


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Em alguns momentos gosto de me expressar através do desenho ou da pintura, porque sinto a necessidade de usar formas e cores para representar idéias e sentimentos.
Em outros momentos, as palavras se tornam necessárias, então, procuro combiná-las, fugindo de regras, criando versos livres e expondo meus pensamentos.
Em "Intensa" estava em um estado que posso chamar de "estado de glória", porque senti a necessidade de expressar-me dos dois modos, sendo que,
forma e cores não eram suficientes, assim como, somente palavras também não eram. Algo em mim gritava tão intensamente que, somente a união entre forma, cor e palavras foi a solução para expressar "Intensa".

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3 de janeiro de 2010

...Nova Fase...


NOVO ANO, NOVA FASE... NOVAMENTE...

Lá se vai mais um ano...
Ano vivido com intensidade de emoções: amor, ódio, esperança, desânimo, fé, incredulidade, alegria, tristeza. Todo sentimento possível, batido no liquidificador e tomado em doses, às vezes, excessivas.
Parece-me que quanto mais vivo, mais fardos e dúvidas surgem em meu caminho.
As reflexões tornaram-se necessárias quase que diariamente.
Gostaria de ter vivido esse ano com mais calma, mas não nego a importância das turbulências que cruzaram meu caminho. São necessárias para aprendizagem... mas será que já não aprendi o suficiente? Parece que não...
De qualquer forma, fecho o ano menos poética, menos sentimental e não sei se isso é bom ou ruim. Minhas emoções adormecidas, anestesiadas, dando lugar à lógica - Sra. Spok.
Penso e repenso sobre tudo o que vivi e percebo que só temos tristezas porque nos permitimos sentir tristeza. Somos frágeis, porque nos permitimos o sentimento de auto-piedade. Ter pena de si mesmo e lamentar, é acomodar-se aos fatos e concordar em ser dirigido em vez de dirigir a própria vida.
Me pergunto: porque sou obrigada a submeter-me à felicidade de outras pessoas - sentimento nobre, bonito - mas, e a minha, onde fica? Guardada para uma outra oportunidade? Pensamento egoísta? Feio? Não... pensamento lógico.
Cansei-me dos vampiros emocionais, daquelas pessoas que nos sugam a alegria e toda força vital. Cansei de carregar meu irmão, como cantava na música dos Hollies, He ain't heavy, he's my brother. Infelizmente, não aguento mais carregar meus irmãos e pior que isso, não tenho mais paciência.
Desejo para o próximo ano, tranquilidade, respeito e sentimentos calmos. Dividir e não ser explorada. Amar e não ser sugada. Oferecer a mão e não cair com o peso de quem estou ajudando. Ser forte para permanecer sã. Aceitar que o mundo nunca foi um paraíso, mas que podemos fazer de alguns momentos esse paraíso. Ter amigos reais, que me aceitem com minhas críticas ou elogios. Ter ao meu redor pessoas amáveis, de boa índole, que saibam sorrir mais do que zangar. Ser sábia o suficiente para distinguir pessoas boas de pessoas más. Ser uma pessoa boa, simples, e acima de tudo amiga, na medida certa.

(Leila Rodrigues)

Meu "inventário" do ano 2009 e expectativas para 2010.

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22 de outubro de 2009

Pedra

Às vezes me sinto pedra...

Pedra: por ser dura, forte, impenetrável.

Pedra:  fácil de ser conduzida, quando estou pequena; e difícil de ser movida, quando estou grande e pesada.

Pedra: que por fora é rústica, mas por dentro guarda um tesouro; que se torna linda ao ser polida, mas que aos olhos de alguns, mesmo sem o polimento, tem beleza na simplicidade, na aspereza.

Pedra: que não fala, não emite sons - será? - ...mas emite energia.

Pedra: que pode ser usada como arma e também como cura.

Pedra: quando entro em contato com a natureza e estranho não me sentir folha, flor, água ou ar, mas... algo tão duro, fechado, antigo.

Às vezes sou pedra...

quando evito sentimentos, nego sonhos, rejeito oportunidades.

Há sempre uma desculpa para ser ou sentir-se pedra...

Sentir-se pedra é uma aspiração, um estado emocional, uma idealização de fuga.

Ser pedra é fechar-se para tudo e todos, é guardar seu tesouro para si mesmo, esconder-se até que alguém lhe quebre e veja o tesouro que há por dentro. É a fuga.

Hoje estou pedra.

(Leila Rodrigues)

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